Calvário

Calvário

Quando eu morrer

Não se vistam de negro

Que essa não é

Nem nunca foi

A cor

Da minha dor

Do luto meu.

 

Roxo, sim,

É cor de dor

Para mim.

Roxo de lírios macerados

Pisados, esmagados.

 

Roxo do Senhor dos Passos

Dos passos vagarosos,

Vacilantes, dolorosos,

A caminho do Calvário.

 

Roxo violáceo

De Cristo crucificado

A dizer, a afirmar

Que a dor e o sofrimento

Servem para nos salvar.

 

Também tenho a minha cruz

Uma via não-sacra a percorrer.

E nos passos que vou dando

De mim própria vai ficando

Um pouco da minha carne

Um pouco do meu sangue

E os espinhos da dor

Com dor se vão cravando

Em todo o meu ser.